Veja todos os comentarios de Vitor Bizzo sobre o evento que tomou conta do fim se semana

Bom dia Guerreiros de ferro! Vitor Bizzo mais uma vez aqui, agora pra comentar com vocês sobre os resultados e acontecimentos da edição do “Arnold Classic” do último final de semana, que tem muita coisa pra ser dita!

Farei uma “geralzona” do que rolou, com algumas opiniões pessoais e pontos de vistas como atleta e treinador amador. Sempre válido lembrar que tudo que escrevo nessa coluna configura como minha opinião, e o grande barato do nosso esporte são as mais variadas opiniões. Então, não deixe de comentar e dar o seu ponto de vista, sempre com educação e zelo para não ofender nenhum atleta, pois todos que estiveram lá se esforçaram para isso! Combinado? Então vamos lá.

Atletas brasileiros fazendo bonito em “território inimigo”, retorno de atletas consolidados, polêmicas nas categorias amadoras com atletas no mínimo fora de shape, e grandes resultados na liga profissional. Para comentar sobre tudo isso, sem perder o fio da meada, vamos por partes:

 

Categoria 212

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Essa que normalmente é minha categoria preferida, opinião pessoal guerreiros, desta vez tive a sensação de que faltou algo.

Com somente 7 atletas no palco, e desfalcada de grandes nomes, como Ahmad Ashkanani e a infelicidade de Hadi Choopan mais uma vez ter sido impedido, por questões políticas, de entrar em território americano, a dinâmica do julgamento e avaliação dos atletas, por opção dos juízes, foi um pouco diferente.

Abrindo só um parênteses válido aqui, acho bacana explicar o motivo pelo qual Hadi Choopan tem tido esses problemas com seu visto: Ano passado, o presidente americano Donald Trump assinou um documento que restringia a entrada de cidadãos de diversos países do Oriente Médio, com a justificativa de que estes apoiavam terrorismo. Algo irônico, já que com a Arábia Saudita eles mantém aliança. (por que “$erá” né?). Por essa razão, sendo Choopan cidadão de um país nessa lista, Irã, ele tem encontrado dificuldades de entrar nos EUA para competir, e parece também que não está havendo muito esforço para que isso aconteça.

Continuando, Guy Cisternino, um nome sempre forte da categoria, está voltando depois de uma complicação na saúde que ele teve na competição anterior, que até agora não se teve nenhuma diagnóstico preciso. Na ocasião, feridas surgiram na sua pele e ele teve que ser hospitalizado e, dessa forma, veio com o físico inferior ao que ele normalmente apresentava.

Considerando tudo isso, os juízes renovaram um pouco o padrão clássico de confrontos separados e solicitaram que todos os atletas ficassem em linha, e mudavam suas posições conforme achavam necessário. Foram tantas poses seguidas que periodicamente um assistente de palco precisava ir enxuga-los pois o suor escorria pelo rosto e corpo dos competidores. (E tem gente que acha que é só posar sem esforço né?)

Os maiores no palco eram claramente os veteranos Jose Raymond e David Henry, com um condicionamento sempre de alto nível, glúteo fibrado e aquela aparência freak. Jose era  claramente o favorito do público, fazendo juz ao seu carisma com os fãs.

Mas para surpresa, ou nem tanto, já que no palco ficava evidente sua linha estética e sua habilidade ao posar, o vencedor da categoria foi Kamal Elgargni, de 46 anos, em sua estreia pela Pro League após uma incrível história de superação contada em uma emocionante entrevista com Shawn Ray e Kai Greene.

Mesmo após ganhar 7 vezes o mundial e todo campeonato amador que subiu, foi impedido pela sua federação de ganhar o Pro Card e foi banido.  Questão essa que foi resolvida pela intervenção direta de Jim Manion, e após tudo isso mostrou a todos que de fato merecia há muito tempo essa chance.  Com um físico incrível, combinando estética, linha, condicionamento e volume, Kamal venceu em sua estreia!

 

Classic Physique

Resultado de imagem para Arnold 2018 classic physiqueTalvez a categoria com mais expectativa por parte do público do esporte, devido sua rápida ascensão e popularidade, e por ser a primeira vez em que essa categoria é apresentada Arnold Classic.

Antes de falarmos sobre a Liga pro, vamos dar um “Viva!” para o atleta brasileiro Lucas Di Santi, que ganhou na sua categoria e o Overall, conquistando seu Pro Card e se tornando o primeiro brasileiro profissional nessa nova categoria. Parabéns Lucas, em nome de todo o time Generation Iron BR, estamos muito felizes pela sua conquista.

Agora, falando da liga profissional, vamos torcer muito pelo Lucas, por que a categoria está definitivamente PEGANDO FOGO.

Palco cheio, altíssimo nível, tudo indefinido até os confrontos.

No pré-julgamento as coisas pareciam já estarem se tornando mais claras para os juízes, onde o principal confronto com o atual Mister Olympia Breon Ansley girou em torno dos 4 primeiros colocados, que posteriormente seriam definidos.

Arash Rabar veio com uma enorme hype nas redes sociais e acompanhado de perto por todos os olhos da indústria, apresentando um progresso incrível desde o Olympia, e fez jus a tudo isso. Subiu no palco com um condicionamento incrível, denso como pedra, com fibras aparentes por todo corpo, e batendo de frente muito firme em todas as poses com Breon.

Circunstâncias que aparentemente deixaram os juízes na dúvida, pois solicitaram um confronto exclusivo entre os dois favoritos.

A noite então todo o mistério foi concluído, sendo o campeão Breon, em segundo Arash, e em terceiro o jovem de 24 anos Courage Opara, que trouxe um físico estético e harmonioso, perfeitamente encaixado no que a categoria propõe. Minha dica? Fiquem de olho nesse rapaz. Válido citar também o primeiro Mister Olympia da categoria, Danny Hester, que o veterano tem se mantido entre os top e dessa vez figurou em quarto lugar.

Sobre o Arash, minha opinião pessoal é que ele tem um potencial e uma ética de trabalho incrível, e comprova isso se mantendo o ano inteiro em máximo condicionamento, e ainda tem muito o que preencher em sua estrutura óssea. Ele tem muito a crescer e acredito que ele está “travando” esse potencial pra se manter na categoria. Talvez subir pra 212 fosse uma opção, mas qualquer uma das duas é pedreira, então vamos torcer para que ele se mantenha em alto nível, independente em qual seja, e sempre nos agracie com shapes como esse e confrontos acirrados, que como fãs do esporte, é isso que queremos ver.

 

Men’s Physique

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Mais uma vez, antes de falarmos da liga profissional, vamos dar um “Viva!” à dois brasileiros que fizeram bonito e ganharam suas respectivas categorias de altura, Rafael Otero Rey e Matheus Teixeira! Parabéns!

Agora, sobre a liga profissional, a Men’s Physique sempre é uma categoria acirrada pela quantidade de atletas de alto nível quando falamos dos profissionais. Dessa vez não foi diferente, mesmo com a ausência de figurões da categoria como o atual Olympia, Jeremy Buendia, Potvin e Ryan Terry.

Sem muitos confrontos para o número de atletas, pareceu que os juízes decidiram rápido as colocações. Somente foi pedida uma disputa exclusiva entre o primeiro e segundo colocado para tirarem quaisquer dúvidas.

O campeão foi Andre Fergunson, talvez já previsível para os mais familiarizados com a categoria. Ele já vem levantando uma forte hype nas redes sociais, fazendo seu shape falar por si mesmo, e provavelmente se tornará um ‘top contender’ para futuros Olympias.

Em segundo lugar Raymont Edmonds, quarto colocado no último Olympia em sua estreia, válido lembrar. Ele já figura entre os ‘top contenders’ da categoria e pode vir a dar muito trabalho para seus concorrentes na liga profissional.

Em terceiro ficou Brandon Hendrickson, terceiro colocado no último Olympia, dessa vez superado por Raymond. Mesmo sendo campeonatos diferentes, eu diria que ele “perdeu” uma colocação na disputa da categoria.

E em quarto, ficou o famoso Logan Franklin, que há tempos caiu na graça do público nas redes sociais.  Ele é o que tem  mais seguidores no Instagram entre os quatro finalistas,    com mais de meio milhão. Ele é também um veterano do exército americano.

 

 Men’s Bodybuilding

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A lendária categoria Open, pai de todo nosso esporte, precursora de tudo que veio depois, graças aos Irmãos Weider e lendas como o próprio Arnold, vinha desacreditada e olhada com desconfiança pelo público.

Com as polêmicas da categoria – sobre as barrigas dilatadas e a perda de proporção e bom senso dos atletas; também com a cirurgia de hernia do Phil Heath, que para muitos foi o famoso “migue”, com a chegada da Classic Physique e sua crescente popularidade; e com as polêmicas do vídeo do Phil sobre os “Weekend Warriors” – uma enorme responsabilidade descansava sobre os ombros desses atletas que ainda são, ou para muitos não mais, os embaixadores do esporte e da indústria.

E, na humilde opinião de um simples atleta amador apaixonado por tudo isso, eles vieram, eles viram, eles venceram.

Um top 6 de altíssimo nível, com gratas surpresas, confrontos incríveis. Sinto que esse Arnold Classic Ohio foi tão especial quanto ele poderia ser, pelo seu trigésimo aniversário, e serviu para reacender a fagulha da paixão e esperança dos fissurados por esse esporte de semi-deuses, que a categoria Open ainda vive, e não vai morrer tão cedo.

Falando de gratas surpresas, é obrigatório citar a volta do “Big Bad Wolf”, claramente abaixo do seu nível usual, mas galgando novamente para o topo, e tenho altas expectativas para quando ele voltar ao seu 100%.

Além dele outro veterano de volta a categoria, o samurai Hidetada Yamagishi, depois de ir e voltar entre a open e a 212, parece que ele finalmente se acertou com um treinador, Milos Sarcev, e apresentou o melhor shape de sua carreira na opinião de muitos, e sempre impressionando com sua habilidade artística ao posar.

No top 6, não dá para economizar elogios e admiração por todos ali.

William Bonac, o campeão digno e merecido,  não segurou as lágrimas no palco, em seu discurso declarou estar vivendo um conto de fadas, e nem seu treinador, Neil “Yoda”, posteriormente no Instagram. Ele conseguiu segurar o choro nos stories falando sobre a conquista.

William apresentou o melhor shape de sua vida, um equilíbrio perfeito entre volume, condicionamento e estética.  Ele é um atleta que tem a estatura de um 212, sem barriga dilatada e compensando sua estrutura com muito, mas muito músculo.

Em segundo lugar, a lenda, o veterano Dexter Jackson, praticamente uma máquina incansável, que há anos se mantem entre os top 3 de todos os campeonatos que ele sobe. Ele está com impressionantes 48 anos.

Ter quase meio século de idade e se manter em alto nível em um dos esportes mais difíceis do mundo não é pra qualquer um, e ele é a prova viva de que o Bodybuilding é uma maratona e depende de resiliência e consistência. Melhor meio passo pra frente do que nenhum. Se inspirem nisso.

Apesar de tudo, mesmo apresentando uma melhora nas pernas comparado com o último Olympia –  quando ele teve uma lesão na preparação e teve que reformular todo seu treino de membros – a linha de cintura parece ter piorado e, talvez, isso tenha pesado contra ele.

Cedric McMillan ficou em terceiro. Ele era o até então campeão, mas não deu conta do “Simba” e “Mufasa” (confronto de leões), como Kai Greene apelidou Dexter e William.

Cedric sempre apresenta um físico incrível, conseguindo harmonia mesmo com uma quantidade impressionante de massa, uma estrutura enorme, alto e largo. Porém, nas últimas competições ele não tem apresentado aquele condicionamento esperado de um campeão. Isso com certeza pesou contra ele quando comparado A Dexter e William, condicionados no talo, com glúteos fimbrados e ‘árvores de natal’ nas lombares.

Em quarto, o “Freak” Roelly Winnklar, que vem apresentando uma evolução constante e está imparável nos últimos anos. Ele vem subindo degrau por degrau na qualidade do seu físico com o acompanhamento dos “camelos”, a Camel Crew de Bader Boodai, que estão criando mutantes.

Atenção especial para sua linha de cintura, que de uma barriga dilatada anos atrás vem se tornando cada vez mais apertada e fina, fazendo seu físico de proporções imensas se tornar um “Freak Aesthetic”, mas aparentemente ainda não está no total agrado dos juízes.

Em quarto e quinto lugar ficaram Steve Kuclo e Lionel Beyeke, respectivamente. Dois atletas que vem apresentando uma evolução consistente nos últimos anos, galgando aos poucos ao topo para confrontar os top da categoria. Ambos com linhas bonitas, especialmente o Beyeke, impressionaram o público no palco, mas, para os juízes ainda não estão no nível de um top 3. Aguardemos para ver se eles irão manter essa consistência e, quem sabe, dar mais trabalho ainda para os figurões da Open nos futuros campeonatos.

 

Atletas fora de shape, a polêmica: Eles deviam ou não estarem ali?

O que chamou a atenção das redes sociais e, pra variar, acabou se tornando meme, foi a pontão de grande parte do publico que q alguns atletas masculinos e femininos que não deveriam “estar ali.”

Totalmente fora de shape, as razões pela qual essas pessoas vão competir são obscuras, e muitas teorias são ditas, mas a verdade é que elas estão ali por que podem. Simples assim.

O campeonato amador é: pagou, se inscreveu, competiu. E a federação fica em uma situação bem delicada.

Ao mesmo tempo que provavelmente eles não queriam ter pessoas “sem noção” talvez “manchando” a imagem ou no mínimo, quebrando o clima, da competição, eles não podem simplesmente negar à uma pessoa o direito de competir, por avaliarem previamente seu físico. Afinal, a pessoa tá pagando pra competir, e não pra necessariamente ganhar.

A democracia funciona assim. Para os mais apaixonados pelo esporte, inclusive pra mim, é uma tristeza ver esse tipo de coisa, mas quem somos nós para simplesmente proibir pessoas de fazerem algo que elas tem o direito, não é mesmo?

Melhor deixar o esporte democrático e aberto, ainda mais agora que ele está ganhando e conquistando seu espaço merecido no mundo. Aos poucos, mas está indo. Quem sabe o gordinho que subiu lá pra fazer uma graça, acabou vendo que tudo aquilo é sério, e pessoas estão ali realizando os sonhos de suas vidas, e toma gosto pelo esporte e decide mudar de vida e ano que vem aparece rasgado no shape?

Bom pessoal, esse foi o meu ponto de vista sobre as categorias que eu acompanhei nesse final de semana. Minha opinião pessoal, de um atleta amador apaixonado pelo esporte, assim como vocês.

Queremos ouvir suas opiniões, então comentem, participem, compartilhem com seus amigos. Vamos fazer essa nossa paixão romper barreiras. Estamos juntos nisso!

 

Abraços!

Vitor Bizzo.

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3 Comentarios

  1. Poderia escrever várias coisas desse Arnold, mas nada supera a minha curiosidade pela camel crew e suas magias, roelly continua evoluindo e afinando a cintura, é sem dúvidas um mass monster e merecia estar a frente do Cedric, carente de condicionamento e visivelmente com uma capa de água sobre a pele, wolf dificilmente voltará a ser um Top 5 no Olympia após sua lesão, e a crescente de novos atletas vindo forte dificulta ainda mais. A 212 espero ansiosamente o confronto de Flex e Choppan.

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